Explicaremos o que são forks no Bitcoin, por que acontecem, quais tipos existem e o que o investidor ou usuário precisa saber para se preparar.
Resumo inicial
Um fork do Bitcoin é uma mudança nas regras do protocolo que pode criar uma nova versão da cadeia ou apenas alterar o comportamento dos nós que participam da mesma rede. Forks podem ser planejados e consensuais, ou controversos e dividir a comunidade. Entender se é um hard fork ou um soft fork ajuda a saber o impacto para quem guarda ou usa Bitcoin.
O que é um fork, em termos simples
Fork é literalmente uma "bifurcação" do software e da cadeia de blocos. Quando parte da rede passa a aceitar regras diferentes das regras anteriores, existem duas situações possíveis: a rede continua única, porque a mudança é compatível com as regras anteriores, ou a rede se divide, porque as regras não são compatíveis. No primeiro caso falamos em soft fork, no segundo caso em hard fork.
Tipos principais de fork
- Soft fork: atualização compatível para trás. Nós antigos aceitam blocos novos, mas nós novos podem impor regras mais restritas. Normalmente não cria uma nova moeda.
- Hard fork: atualização que não é compatível para trás. Se uma parte da rede não atualizar, pode surgir uma cadeia separada. Hard forks podem criar uma nova moeda se houver suporte suficiente pela comunidade e por mineradores.
- Fork de software vs fork de consenso: algumas mudanças são apenas no software do nó, sem alterar consenso. Outras mudam as regras de validação e são forks de consenso, com risco de divisão.
- Forks contenciosos vs não contenciosos: contenciosos dividem opiniões e podem gerar novas moedas; não contenciosos são coordenados e aceitos amplamente pela comunidade.
Exemplos históricos
- Bitcoin Cash (2017): hard fork que resultou em uma nova criptomoeda. O objetivo foi aumentar o tamanho de bloco e melhorar escalabilidade on-chain.
- Bitcoin SV (2018): foi um desdobramento do Bitcoin Cash, também via hard fork, por discordâncias sobre direção técnica e governança.
- Atualizações da rede Bitcoin como SegWit foram implementadas com combinações de soft forks e coordenação entre desenvolvedores e operadores de nó.
Por que forks acontecem
- Diferenças técnicas sobre como escalar ou melhorar privacidade e segurança.
- Disputas na comunidade sobre prioridades e trade-offs.
- Necessidade de correção de vulnerabilidades ou adição de recursos novos.
- Motivações econômicas ou políticas, quando grupos querem criar uma nova cadeia com regras diferentes.
Consequências para usuários e investidores
- Se um hard fork criar uma nova cadeia, possivelmente haverá uma nova moeda. Detentores do Bitcoin antes do fork podem passar a ter saldo equivalente na nova cadeia, dependendo do suporte de exchanges e carteiras.
- Exchanges decidem se listam a nova moeda e como distribuirão os saldos. Nem toda exchange garante crédito automático.
- Má gestão do fork pode gerar perda de fundos se a carteira ou a exchange não seguir procedimentos seguros.
- Soft forks, quando bem coordenados, tendem a ter impacto mínimo para usuários comuns.
Como se preparar quando há rumores de fork
- Informe-se em fontes oficiais dos desenvolvedores do Bitcoin e em anúncios das principais exchanges.
- Se guarda Bitcoin em exchange, confira a política da exchange sobre forks e, se quiser evitar risco, considere sacar para uma carteira própria antes do evento.
- Use carteiras que permitam controlar chaves privadas se planeja reivindicar moedas de uma possível nova cadeia.
- Evite mover fundos durante o evento para não perder a possibilidade de snapshots e para reduzir riscos de replay attacks.
- Se for novato, prefira manter a calma e seguir orientações oficiais de segurança em vez de ações impulsivas.
Questões técnicas importantes
- Snapshot: momento em que se registra o estado das contas para distribuir saldos na nova cadeia.
- Replay attack: transações válidas em uma cadeia podem, em algumas condições, ser repetidas na outra. Proteções técnicas são necessárias para evitar isso.
- Compatibilidade de carteiras: nem todas suportam automaticamente uma nova cadeia, verifique antes.
Melhores práticas para desenvolvedores e nodes
- Testar extensivamente em testnet.
- Coordenar atualizações com os operadores de nó e mineradores.
- Comunicar claramente procedimentos de segurança e risks à comunidade.
Conclusão
Forks são parte natural do desenvolvimento de sistemas descentralizados, com potencial para inovação e também para divisão. Para usuários, o mais importante é entender o tipo de fork, seguir recomendações de segurança, e agir com controle sobre suas chaves e posições. Hard forks podem criar novas moedas, soft forks tendem a ser menos disruptivos.
